4.01.2017

do medo

Já estava contente com ter, finalmente, a máquina da roupa montada, a funcionar, por mim. Mas à página 23 dou-me por vencida. Ando nisto há 3 dias, e não queria por nada desistir. Mas desisti. Resumi-me à minha condição de mulher, iletrada, pouco forte ou hábil, o que se quiser, mas o resultado final é o mesmo: a porta da máquina fica de fora. Sento-me e fico numa irritação crescente a olhar ora para a máquina, ora para a porta. E penso que eu até conseguia mesmo acabar esta merda, mas se corre mal lixo a porta de vez, e sai cara a brincadeira...

Numa qualquer outra altura teria ido para a varanda fumar a minha irratação ou teria ido correr 5km. Não indo acabo a comer um bocado de pão e a pensar naquele cliché que sempre me deixou desconfortável, mas que é famoso q.b., a saber: tudo o que tu queres está do outro lado do medo. Normamente em inglês soa potentissimo!
E muito embora eu seja mega fã, já se sabe, destes mottos este nunca foi uma escolha. E explico por quê: é uma grande treta!

É falso e incompleto. Hoje, por exemplo, o que eu realmente queria estava para lá da minha capacidade.
Ene vezes o que nós queremos está para lá da responsabilidade, da honestidade, da competência, do dever, da razoabilidade, da paciência, do esforço, da motivação.... raramente é do medo. Eu não tenho medo de uma porta nem de uma chave de parafusos. E ainda assim fiquei sem o que realmente queria.

Eu não tenho medo andar a grande velocidade, por exemplo, mas está para além do legal e do responsável. Eu não tenho medo de dançar, mas está para além da minha disponibilidade.... e poderia continuar por aqui fora.
Porque raramente é o medo que me imobiliza. Que raio de ideia...




No comments: