20 March 2017

do que se achava impossível

Há dias que demoram a passar. Aqueles que começam com pressa tarde ou nunca se endireitam.
E a vida corre nos entretantos. Em horas, dias e momentos que tanto parecem rápidos como agonizam na demora que levam. Não venho p'ra aqui com reflexões da treta, nem tão pouco tenho o tempo para isso. Mas vim e sabia que havia qualquer coisa que queria dizer, só não me lembro o quê.
Estou a ficar velha, é o que é. Preciso que o meus filhos me perguntem constantemente que idade tenho para ter a certeza de que não tenho mais 3 ou 4 do que aquilo que sinto. Porque os sinto, pesados nas pernas, na cintura que já foi, nas brancas que saltaram feitas cogumelos, nas olheiras que já se deixam ver. O tempo é igual para todos, sem dúvida, mas a força com que se abate em nós é diferente... Tem sido galopante, em mim.

(entretanto lembrei-me daquilo a que vim! raio da idade!)

Deixei de fumar! fez esta semana 1 mês! Isto é para mim fenomenal muito embora sinta a descrença todos os dias, ou em colegas, ou em casa ou mesmo em mim. Mas a verdade é que consegui. 1 mês é para mim um excelente marco. Acordo com a boca seca, ainda me apetece fumar, ainda me saltam pulmões quando corro, não sei o que fazer às mãos e ainda tenho 4 ou 5 minutos várias vezes ao dia em que me sinto a rebentar, mas assumo só que seja ainda detox... Ainda não me sinto renovada, mas sinto-me orgulhosa de mim. E como isso é coisa rara, achei que o devia partilhar com alguma vaidade - coisa que também não abunda em mim.

A quem estiver interessado em saber como, eu explico: tem que se querer. Há livros que ajudam, há medicamentos que ajudam, há pessoas que ajudam, mas se não quisermos, se não for decisão nossa, tudo o resto vai ser mais forte e em pouco tempo caímos no mesmo erro, na mesma doença.
Livro: Método Easyway de Allen Carr, hipnose: app Quit Smoking, Remédios: não vou nomear, porque variam imenso, pois claro. No meu caso não passou por qualquer substituto de nicotina mas sim por um estabilizador de humor (acho que se lhe pode chamar isso). Esta foi a variável que mais me surpreendeu. Porque me obrigou a olhar cá para dentro e não foi bonito de se ver. Mas resultou ou tem resultado, ajudou. E pessoas: um médico.

Não vou estar com moralismos a cantar de galo para os fumadores. Não vou fingir que sou já ex-fumadora (até porque todos os somos sempre que apagamos um cigarro), nem vou insistir e fazer campanha com ninguém. Queria apenas que soubessem que é possível. Que custa, claro que sim, mas que é possível e até fácil. Basta a consciência de que passamos bem sem isso. Basta conseguir controlar alguns acessos e temos toda uma vida pela frente. Mais longa conforme nos prometem os estudos e estatísticas. Assim, sem mais, basta querer, de facto.

Já antes estive aqui a dizer que seria a última cigarrilha, e depois dessa vieram umas centenas. Não posso fazer a promessa de que coisa nenhuma. Só posso prometer que ninguém ficaria pior do que eu, nem mais desapontado que eu, se eu voltasse a fumar. Façam as vossas apostas e se correr tudo bem, preparem-se para perder dinheiro, porque eu tenho apostado muito mais do que isso...




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