4.22.2016

do fim.

Nunca gostei da forma como o meu corpo materializa a dor. Quando o A. sai em viagem eu fico com enxaqueca. De uma forma estranhamente proporcional, o meu Pai morre e eu acabo a ser operada... agonio em dor na alma e o corpo faz-se acompanhar.

Não me apetece falar muito mais sobre o assunto, na verdade não me apetece falar de todo. 

Mas o meu Pai havia de ter aqui o seu momento. Gostava de blogs, lia vários e deliciava-se na nostalgia que lhe traziam. Vivia de memórias, de histórias e de História. Não sabia um pouco de tudo mas dominava História, a única disciplina em que nos conseguia ajudar em tempo de testes. E claro, assinava os testes com más notas porque não nos ralhava tanto... sempre foi mais brando, talvez porque também ele asneirava muito e nós sabíamos. Era um coração mole, e no meio de tanta coisa poucos saberiam disso, que ele era meigo e terno. Lembro-me de nos encher de beijos. lembro-me de dormitar na barriga dele e não fazer muita força para não lhe tirar o ar. de nadar nas costas dele e passar os dedos na cicatriz que lhe atravessava o corpo sem nunca perceber de onde vinha. Lembro-me de tanta coisa.
Levo marcas desta semana. A mais memorável é que as mortes anunciadas não são mais fáceis, não doem menos, não passam mais depressa...



1 comment:

deep said...

Lamento a tua perda. Imagino como deve ser doloroso. Um abraço.