16 February 2018

da dança

J - tens que querer. e escolhe uma data de que nunca te esqueças e nunca voltes atrás.

16 de Fevereiro.

Há 1 ano que deixei de fumar. Foi um ano do caraças! Houve de tudo, todas as provações e provocações, todas as ganas, todas as vontades... Mas chegou ao fim.
Cheguei aos 365 dias sem fumar, aos mais de 800 euros e para lá das 3645 cigarrilhas.
E o mais estranho é que não sinto particular orgulho nisto, mas antes uma vergonha meia ilógica de não o ter conseguido fazer antes... mas eu não sabia ainda!
Não sabia de que o melhor está para lá das taxas de recuperação de minha saúde, da minha pele ou da minha carteira. Está muito além do que eu imaginava ser. O melhor está no poder que sinto, na liberdade que controlo, renovada a cada gana que tenho.
Pode até ser na ilusão de que controlo, mas apre, deem-me um biqueiro se me virem fumar porque ene vezes me apetece e se eu ceder uma...  mas cada vez que não cedo há um twist mental de milissegundos que me leva do "apetece-me" ao "mas consigo não fazê-lo".

É neste twist que a magia acontece e um arrepio bom, tão bom, passa por mim, tantas vezes quantas as que fumava por dia.

Eu não sabia que ia estar tão segura da minha escolha porque nem sabia sequer que era uma escolha (é, não duvidem: é!). Eu não sabia que tudo na minha vida me ia parecer mais fácil depois de decidir isto. Não sabia que isto muda quem somos...  Decidi, ficou decidido. E entre twists e arrepios, quero dançar esta dança por mais 365 dias.

e só não dança quem não quer.


04 January 2018

do (...) ainda ninguém o fazia e já eu (...)

Eu tenho muita pena de quem morre. Principalmente de quem morre cedo demais, de quem vai fazer falta a alguém, de quem ainda pouco ou nada fez da vida. claro que tenho. mas cada vez que isto acontece com uma figura mais pública, não consigo deixar de ficar irritada com o fenómeno de infelicidade incurável e geral que paira no ar.
Sim, o Belmiro era um senhor, e o Zé Pedro era bestial, mas não vou agora puxar à lágrima e expôr e quase competir nas redes o quanto eu tenho pena, ou há quantos anos o conheço ou o raio a quatro!

Acredito nas homenagens em vida, em boas memórias e mais ainda daquelas que não dá para partilhar. Apetece-me fazer uma lista tipo disclosure, só para que quando alguém famoso morrer eu poder dizer que já tinha dito que gostava dele (nham nham nham nham... onomatopeia para língua de fora, assim à ranhoso).

Eu ouço d'zert quando estou a trabalhar, gosto dos DAMA e sei de cor todas as músicas da Mafalda Veiga. Já ouvia Shakira desde que  o meu irmão comprou os "piez descalços" ainda eu nem tinha carta nem ela falava inglês... Sempre usei sapatilhas stan smith e as minhas até tinham sola verde. Sempre usei saias compridas e de tule e já do catalogo da Ramirez & Raul tinha uma saia plissada (azul com bolas brancas, linda!) Já leio o MEC desde o primeiro livro em que ele dizia palavrões na capa e choro sempre que leio o meu Pé de laranja lima ou o Principezinho.

ainda ninguém e eu já...

Acho curioso pensar que daqui a uns anos até poderia gabar-me destas e de outras parvoíces como se fosse uma grande coisa ou como isso fizesse de mim alguém especial... people: não é por aí

23 December 2017

do natal'17

não é má vontade, não é má educação, não é moda. é mesmo estar cada vez mais farta do natal. todos os anos tenho o mesmo queixume, as mesmas correrias, o mesmo desagrado em ter que passar a época toda desavessa, toda ao contrário do que se quer: presença.
aos poucos vou esvaziando a casa do que não interessa e logo de seguida entram sacos e saquinhos e tudo o que pouco interessa invade-nos de novo... e novamente a pressa dos dias e urgência dos afazeres. o natal já não é calmaria, já não é sossego nem tão pouco alegria. não sei se é só a minha perspectiva que muda, mas mudou garantidamente da minha infância para agora.
sei que quando me subir o cheiro da roupa velha e da aletria eu recupero e penso que afinal ainda gosto do natal, mas até lá só penso nos 650 km e muitos euros de viagens, nas listas do que tenho que dar, na imaginação ou lembrança do que querem. nas boas intenções que tinha para 2017 e que foram ficando por cumprir, naqueles que perdemos, naqueles que se perderam. preciso do abraço da chegada, aquele de braços abertos e depois muito apertados, para sentir que de facto é Natal.
lá em casa já conseguimos reduzir os presentes só para as crianças, mas se alguém perguntar o que eu quero, digam que quero paz, saúde e pouco mais.

14 November 2017

do desapego e da injustiça


talvez seja das vésperas, mas ando assim a modos que murchinha. e bem posso ir achando que não é nada, ou que há-de ser qualquer coisa que nem sei o que é mas que vai passar, posso tentar desatar um nó na garganta, posso muita coisa, mas ando numa de poder mas é aproveitar o que curto. o que me agrada, o que me contenta e não me cobra. o que compartilha e que dá sem esperar nada em troca. ando nessa onda, do desapego de coisas para me apegar às gentes. porque quando estamos assim mais para o calados e mais observadores percebemos melhor o quão depressa vida passa. num ápice. e nem sempre passa bem portanto temos mesmo que aprender e geri-la.

eu achava que era uma pessoa desapegada e não há nada que eu negue a ninguém. de mim, das minhas coisas, e não me lembro de ser diferente disto. eu desprendo depressa porque não sei fazê-lo de outra forma. eu abraço forte porque é assim que se faz. não negoceio, não troco, não discuto. eu dou. [ mas tenho também a consciência de que sou consumista. de que em dois cliques comprei uma camisola sem a qual passaria bem ou de que faço escolhas impulsivas, assim ao jeito intenso que sou.]

isto do desapego dá também trabalho. isto da generosidade pode também ser doloroso. porque eu não troco, eu não negoceio, mas guess what? quem não o faz é o coração, porque a seguir vem o cérebro e relembra-nos de que podíamos ter créditos com alguém, pedir um perfuminho ou cobrar um favor. isto do cérebro e do coração serem tão díspares deve ter que se lhe diga, mas não eu, não percebo nada disso e só me guio pelo instinto e pelo intuito. nem sempre corre bem. o meu filho B. agora clama justiça por tudo e por nada! sente-se injustiçado se estiver sol na madeira e chover em lisboa, se o primo do amigo do filho da avó da tia tiver recebido uma chiclet, ai por Deus por que não tive eu?! e isto anda a moer-me o juízo! porque a comparação é mais a origem de decepções do que de motivações, de nada nos serve a comparação principalmente se somos únicos como ele o é e não nos falta nada. e todos os dias por algum motivo ele diz-se injustiçado e eu não sei bem como contrariar isto... quando dou beijos ao L. na cama de baixo ele conta-os para ter a certeza de que não teve nem menos um que o irmão! e eu não lhe quero  negar um beijo mas irrita-me que mo cobre! tem que haver outra forma... 

não sei se se nasce assim, a sentirmo-nos constantemente injustiçados, mas espero que consigamos fazê-lo ver, em breve, que se se comparar com o próximo vai ser infeliz a vida toda. não devemos exigir o que é material e não devemos mendigar o que não o é. seja o que for: não devemos jamais forçar o que não nos quiserem dar. é nisto que eu acredito. é isto que pratico. ser feliz com o que se tem.

happiness is not always a choice, but even so, life is 90% the way you look at things. happiness comes from within.




05 September 2017

do clichê(s)



Paro e faço uma nota mental: escrever sobre isto... e depois lá se foi a ideia, o momento ou a lógica ou a causa, tipo: férias, piolhos, regresso às aulas, dietas... going gone gone!

Agora estou num aeroporto. Faço off do instagram e enquanto aguardo pacientemente e folheio uma revista lembrei-me que era boa altura para vir aqui. Vou sendo notificada de likes e comentários e espreito mais umas # para ver mais umas coisas que gosto antes de me desligar da rede.

Alguns não entenderão concerteza estes meus fascínios por chãos e azulejos, por tectos e espelhos, por mim ou por coisas parvas que me fazem parar e perder 15 segundos a apreciá-las e a guardar o que consigo. Os meus olhos tiram tantas mais fotografias do que aquelas que tenho...
É que eu não consigo guardar tudo e estou numa fase em que me permito perder tempo a apreciar (-me e) o que me rodeia e percebi que há mais quem goste. Imaginava eu que pelo mundo fora haveria quem mais perdesse tempo a olhar para o chão?! Ou que tivesse um fascínio com espelhos? E de uma forma desvinculada eu crio vínculos com gente de todo o mundo. E dou-me ao luxo de perder tempo com isto e assumo sem qualquer vergonha que me diverte e que me agrada: acho um piadão a isto!


Assumo que muitas vezes andei as redes sociais e blogs em estilo cusca, sem grande coisa em comum senão o facto de terem um blog ou um perfil no FB ou no instagram e depois percebi que não tenho pachorra... e muitos não terão pachorra para mim e para este blog mas a maravilha desta fase que atravesso é que I really don’t care. A vantagem da tecnologia é o off que se pode fazer. E eu ando a dar off em tanta coisa...
E vejo que há mais mulheres na mesma onda. Nesta onda de não nos termos que chatear, de só nos fazer o que apetece e quando queremos. De sabermos o que queremos. Sinto que a bela da revolução já começou e sou parte dela. Mas falo por mim.

Não sei se é dos quarenta que se aproximam, não sei se é da convivência com especialistas da mente humana, se é da experiência que acumulamos. Pode até ser das hormonas que escolhemos ou não ter em nós. Pode ser de ter sido aumentada ou de ter novos quadros em casa. Pode ser de muita coisa, mas sinto que é de dentro que sai esta energia. Esta coisa boa de me conhecer melhor agora do que nunca, de me aceitar assim, tal e qual. E de querer mais ou menos coisas e assumir isso: tipo, quero insuflar marufas ou fazer dietas milagrosas. Quero mudar o estilo de roupa ou armar-me em blogger ou de me acharem um modelo a seguir em qualquer treta. Quero mais filhos, não quero os que tenho, quero um novo emprego ou trocar de carro.... o que for! Esta coisa de dizer o que nos apetece, conquanto que não ofenda ninguém, chegou também aqui. Esta coisa de ser cada vez mais eu e de me pôr em primeiro lugar de vez em quando. De ser mais mulher. De pensar não só no que devo fazer mas tentar conjugá-lo com o que quero. Tirar tempo, evaporar sem sentimentos de culpa... E saber que quando regresso venho melhor. Sinto-me plena e mais feliz.

Estes últimos meses favoreceram esta moda de me achar dona de mim mesma de perder tempo a pensar com calma, sem gritos, sem pressas e sem horários. Sem reuniões, sem tpc’s, sem gente. Mesmo quando tenho tudo isso, agora domino a arte de fingir que não, nem que seja nos meus 15 minutos de procrastinação. Acho que também melhorei por não fumar. Não pelo dinheiro ou vida que poupei, mas pela certeza de que há coisas que eu consigo, controlo e venço, sozinha.
E quanto mais me habituo a isto, mais encaixo os clichês que andam por aí e percebo que não são clichês. São pérolas de sabedoria (passo a expressão pirosa) e são de facto um modo de vida, um #tommotto,  pelo qual me guio e que finalmente mostra resultados.

É isto: sou mais eu. O A. diz que sou muito intensa. Eu sei, mas sou eu.

11 July 2017

do despacito

não admira que seja o primeiro hit mundial não inglês nos últimos 50 anos!
isto sim, é uma declaração, parece-me...


Si, sabes que ya llevo y un rato mirándote
tengo que bailar contigo hoy
vi, que tu mirada ya estaba llamándome
muéstrame el camino que yo voy

Tu
tu eres el imán y yo soy el metal
me voy acercando y voy armando el plan
solo con pensarlo se acelera el pulso

Ya
ya me esta gustando más de lo normal
todos mis sentidos van pidiendo más
esto hay que tomarlo sin ningún apuro

Despacito
quiero respirar tu cuello despacito
deja que te diga cosas al oído
para que te acuerdes si no estas conmigo

Despacito
quiero desnudarte a besos despacito
firmar las paredes de tu laberinto
y hacer de tu cuerpo todo un manuscrito

Quiero ver bailar tu pelo
quiero ser tu ritmo
que le enseñes a mi boca
tus lugares favorito

Déjame sobre pasar
tus zonas de peligro
hasta provocar tus gritos
y que olvides tu apellido

Si te pido un beso, ven dámelo
yo se que estas pensándolo
llevo tiempo intentándolo
mami esto es dando y dándolo
sabes que tu corazón conmigo
te hace boom boom
sabes que esa beba esta buscando
de mi baam baam

Ven prueba de mi boca, para ver como te sabe
quiero quiero quiero, ver cuanto amor a ti te cabe
yo no tengo prisa, yo me quiero dar el viaje
empezamos lento, después salvaje

Pasito a pasito, suave suavecito
nos vamos pegando, poquito a poquito
cuando tu me besas, con esa destreza
creo que eres malicia, con delicadesa

Pasito a pasito, suave suave cito
nos vamos pegando, poquito a poquito
y es que esa belleza, es un rompecabezas
pero para montalo aquí tengo la pieza, oye..

Despacito
quiero respirar tu cuello despacito
deja que te diga cosas al oído
para que te acuerdes si no estas conmigo

Despacito
quiero desnudarte a besos despacito
firmar las paredes de tu laberinto
y hacer de tu cuerpo todo un manuscrito

Quiero ver bailar tu pelo
quiero ser tu ritmo
que le enseñes a mi boca
tus lugares favoritos

Déjame sobre pasar
tus zonas de peligro
hasta provocar tus gritos
y que olvides tu apellido

Despacito
vamos hacerlo en un playa en puertorrico
hasta que las olas griten, ay bendito
para que mi sello se quede contigo

Pasito a pasito, suave suavecito
nos vamos pegando, poquito a poquito
que le enseñes a mi boca
tus lugares favoritos

Pasito a pasito, suave suavecito
nos vamos pegando, poquito a poquito
hasta provocar tus gritos y que
y que olvides tu apellido,

Des pa cito

Pasito a pasito, suave suavecito
nos vamos pegando, poquito a poquito
Pasito a pasito, suave suavecito
nos vamos pegando, poquito a poquito

08 July 2017

do telefone

Todos sabem o quanto me dou bem com o meu telefone. Essa quase extensão do meu corpo. E muitos perguntam porque raio ando sempre com ele e agarrada a ele mas não falo. Já tentei explicar que o meu telemovel servirá para tudo muito mais do que para falar. E que mais do que não gostar de falar ao telefone, não tenho na maioria das vezes oportunidade de o fazer naquele momento em que me ligam e vos despacho... E hoje o texto abaixo descreveu tão esta minha cena... assim, inspirado em motherly aqui vai a minha versão:

I can’t pick up your phone call. Just text me. Ya feel me?
(...)  I’ll tell you:

1. It is loud around me ALL THE TIME.
Even during car rides, when all the kids are restrained. There are questions, requests, spills and fights. I can barely hear myself think, let alone form a sentence. I’ll text you. During nap time.

2. I’m not going to remember what we talk about.This is why when our banker or realtor or accountant asks if they can call me back, I simply say, “Email is best for me. Can you email me instead?” I used to offer an explanation, but now I just don’t. And they email and then I save brain cells.

3. We will be interrupted every 30 seconds.It’s not that my kids aren’t self-sufficient. In fact, for your information, they are actually quite independent for their ages but they need a lot of assistance. Thus, phone convos with me will suck.

4. When I am alone, I don’t want to talk.
There is so much talking around me all day long. I explain. I teach. I correct. I encourage. And, I answer impossible questions, like “Is there grass in heaven?”
And so, in the rare (very rare) moments that I’m alone, I’m not going to be talking. I’m going to bathing in the luxurious, decadent, rich sound of nothingness. Silence. Quiet. Peace. (Either that or binge on Real Housewives. Either way, please text me.)

This is why I can’t call you. Even though In addition to my job outside I still have all the wiping butts, making dinner and shaping lives. I’m just a working mom who savors silence and whose short-term memory is shoddy at best.

You’re right, I don’t have a 9-to-5 job, and I’m not the President.
I do have a job, a very demanding and sometimes stressing one. Simple yet intense and surprises happen all the time.  I deal with hundreds of people (😱), i work in HR, believe when i say or feel i do enough talking (phone or not) from 9 to 5.

But I am the boss (driver, therapist, cook, playmate, teacher, etc) of of 3 young kids who need a lot of assistance, and I happen to be the appointed official tasked with keeping them alive.

If you want to call me The Queen, that’s fine! But just do it through text.

And I’ll send a heart-eyed emoji back at ‘cha. 😍

da dança

J - tens que querer. e escolhe uma data de que nunca te esqueças e nunca voltes atrás. 16 de Fevereiro. Há 1 ano que deixei de fumar. Fo...