05 September 2017

do clichê(s)



Paro e faço uma nota mental: escrever sobre isto... e depois lá se foi a ideia, o momento ou a lógica ou a causa, tipo: férias, piolhos, regresso às aulas, dietas... going gone gone!

Agora estou num aeroporto. Faço off do instagram e enquanto aguardo pacientemente e folheio uma revista lembrei-me que era boa altura para vir aqui. Vou sendo notificada de likes e comentários e espreito mais umas # para ver mais umas coisas que gosto antes de me desligar da rede.

Alguns não entenderão concerteza estes meus fascínios por chãos e azulejos, por tectos e espelhos, por mim ou por coisas parvas que me fazem parar e perder 15 segundos a apreciá-las e a guardar o que consigo. Os meus olhos tiram tantas mais fotografias do que aquelas que tenho...
É que eu não consigo guardar tudo e estou numa fase em que me permito perder tempo a apreciar (-me e) o que me rodeia e percebi que há mais quem goste. Imaginava eu que pelo mundo fora haveria quem mais perdesse tempo a olhar para o chão?! Ou que tivesse um fascínio com espelhos? E de uma forma desvinculada eu crio vínculos com gente de todo o mundo. E dou-me ao luxo de perder tempo com isto e assumo sem qualquer vergonha que me diverte e que me agrada: acho um piadão a isto!


Assumo que muitas vezes andei as redes sociais e blogs em estilo cusca, sem grande coisa em comum senão o facto de terem um blog ou um perfil no FB ou no instagram e depois percebi que não tenho pachorra... e muitos não terão pachorra para mim e para este blog mas a maravilha desta fase que atravesso é que I really don’t care. A vantagem da tecnologia é o off que se pode fazer. E eu ando a dar off em tanta coisa...
E vejo que há mais mulheres na mesma onda. Nesta onda de não nos termos que chatear, de só nos fazer o que apetece e quando queremos. De sabermos o que queremos. Sinto que a bela da revolução já começou e sou parte dela. Mas falo por mim.

Não sei se é dos quarenta que se aproximam, não sei se é da convivência com especialistas da mente humana, se é da experiência que acumulamos. Pode até ser das hormonas que escolhemos ou não ter em nós. Pode ser de ter sido aumentada ou de ter novos quadros em casa. Pode ser de muita coisa, mas sinto que é de dentro que sai esta energia. Esta coisa boa de me conhecer melhor agora do que nunca, de me aceitar assim, tal e qual. E de querer mais ou menos coisas e assumir isso: tipo, quero insuflar marufas ou fazer dietas milagrosas. Quero mudar o estilo de roupa ou armar-me em blogger ou de me acharem um modelo a seguir em qualquer treta. Quero mais filhos, não quero os que tenho, quero um novo emprego ou trocar de carro.... o que for! Esta coisa de dizer o que nos apetece, conquanto que não ofenda ninguém, chegou também aqui. Esta coisa de ser cada vez mais eu e de me pôr em primeiro lugar de vez em quando. De ser mais mulher. De pensar não só no que devo fazer mas tentar conjugá-lo com o que quero. Tirar tempo, evaporar sem sentimentos de culpa... E saber que quando regresso venho melhor. Sinto-me plena e mais feliz.

Estes últimos meses favoreceram esta moda de me achar dona de mim mesma de perder tempo a pensar com calma, sem gritos, sem pressas e sem horários. Sem reuniões, sem tpc’s, sem gente. Mesmo quando tenho tudo isso, agora domino a arte de fingir que não, nem que seja nos meus 15 minutos de procrastinação. Acho que também melhorei por não fumar. Não pelo dinheiro ou vida que poupei, mas pela certeza de que há coisas que eu consigo, controlo e venço, sozinha.
E quanto mais me habituo a isto, mais encaixo os clichês que andam por aí e percebo que não são clichês. São pérolas de sabedoria (passo a expressão pirosa) e são de facto um modo de vida, um #tommotto,  pelo qual me guio e que finalmente mostra resultados.

É isto: sou mais eu. O A. diz que sou muito intensa. Eu sei, mas sou eu.

11 July 2017

do despacito

não admira que seja o primeiro hit mundial não inglês nos últimos 50 anos!
isto sim, é uma declaração, parece-me...


Si, sabes que ya llevo y un rato mirándote
tengo que bailar contigo hoy
vi, que tu mirada ya estaba llamándome
muéstrame el camino que yo voy

Tu
tu eres el imán y yo soy el metal
me voy acercando y voy armando el plan
solo con pensarlo se acelera el pulso

Ya
ya me esta gustando más de lo normal
todos mis sentidos van pidiendo más
esto hay que tomarlo sin ningún apuro

Despacito
quiero respirar tu cuello despacito
deja que te diga cosas al oído
para que te acuerdes si no estas conmigo

Despacito
quiero desnudarte a besos despacito
firmar las paredes de tu laberinto
y hacer de tu cuerpo todo un manuscrito

Quiero ver bailar tu pelo
quiero ser tu ritmo
que le enseñes a mi boca
tus lugares favorito

Déjame sobre pasar
tus zonas de peligro
hasta provocar tus gritos
y que olvides tu apellido

Si te pido un beso, ven dámelo
yo se que estas pensándolo
llevo tiempo intentándolo
mami esto es dando y dándolo
sabes que tu corazón conmigo
te hace boom boom
sabes que esa beba esta buscando
de mi baam baam

Ven prueba de mi boca, para ver como te sabe
quiero quiero quiero, ver cuanto amor a ti te cabe
yo no tengo prisa, yo me quiero dar el viaje
empezamos lento, después salvaje

Pasito a pasito, suave suavecito
nos vamos pegando, poquito a poquito
cuando tu me besas, con esa destreza
creo que eres malicia, con delicadesa

Pasito a pasito, suave suave cito
nos vamos pegando, poquito a poquito
y es que esa belleza, es un rompecabezas
pero para montalo aquí tengo la pieza, oye..

Despacito
quiero respirar tu cuello despacito
deja que te diga cosas al oído
para que te acuerdes si no estas conmigo

Despacito
quiero desnudarte a besos despacito
firmar las paredes de tu laberinto
y hacer de tu cuerpo todo un manuscrito

Quiero ver bailar tu pelo
quiero ser tu ritmo
que le enseñes a mi boca
tus lugares favoritos

Déjame sobre pasar
tus zonas de peligro
hasta provocar tus gritos
y que olvides tu apellido

Despacito
vamos hacerlo en un playa en puertorrico
hasta que las olas griten, ay bendito
para que mi sello se quede contigo

Pasito a pasito, suave suavecito
nos vamos pegando, poquito a poquito
que le enseñes a mi boca
tus lugares favoritos

Pasito a pasito, suave suavecito
nos vamos pegando, poquito a poquito
hasta provocar tus gritos y que
y que olvides tu apellido,

Des pa cito

Pasito a pasito, suave suavecito
nos vamos pegando, poquito a poquito
Pasito a pasito, suave suavecito
nos vamos pegando, poquito a poquito

08 July 2017

do telefone

Todos sabem o quanto me dou bem com o meu telefone. Essa quase extensão do meu corpo. E muitos perguntam porque raio ando sempre com ele e agarrada a ele mas não falo. Já tentei explicar que o meu telemovel servirá para tudo muito mais do que para falar. E que mais do que não gostar de falar ao telefone, não tenho na maioria das vezes oportunidade de o fazer naquele momento em que me ligam e vos despacho... E hoje o texto abaixo descreveu tão esta minha cena... assim, inspirado em motherly aqui vai a minha versão:

I can’t pick up your phone call. Just text me. Ya feel me?
(...)  I’ll tell you:

1. It is loud around me ALL THE TIME.
Even during car rides, when all the kids are restrained. There are questions, requests, spills and fights. I can barely hear myself think, let alone form a sentence. I’ll text you. During nap time.

2. I’m not going to remember what we talk about.This is why when our banker or realtor or accountant asks if they can call me back, I simply say, “Email is best for me. Can you email me instead?” I used to offer an explanation, but now I just don’t. And they email and then I save brain cells.

3. We will be interrupted every 30 seconds.It’s not that my kids aren’t self-sufficient. In fact, for your information, they are actually quite independent for their ages but they need a lot of assistance. Thus, phone convos with me will suck.

4. When I am alone, I don’t want to talk.
There is so much talking around me all day long. I explain. I teach. I correct. I encourage. And, I answer impossible questions, like “Is there grass in heaven?”
And so, in the rare (very rare) moments that I’m alone, I’m not going to be talking. I’m going to bathing in the luxurious, decadent, rich sound of nothingness. Silence. Quiet. Peace. (Either that or binge on Real Housewives. Either way, please text me.)

This is why I can’t call you. Even though In addition to my job outside I still have all the wiping butts, making dinner and shaping lives. I’m just a working mom who savors silence and whose short-term memory is shoddy at best.

You’re right, I don’t have a 9-to-5 job, and I’m not the President.
I do have a job, a very demanding and sometimes stressing one. Simple yet intense and surprises happen all the time.  I deal with hundreds of people (😱), i work in HR, believe when i say or feel i do enough talking (phone or not) from 9 to 5.

But I am the boss (driver, therapist, cook, playmate, teacher, etc) of of 3 young kids who need a lot of assistance, and I happen to be the appointed official tasked with keeping them alive.

If you want to call me The Queen, that’s fine! But just do it through text.

And I’ll send a heart-eyed emoji back at ‘cha. 😍

29 June 2017

da força.

Alguns não acreditarão. Muitos não perceberão e outros tantos acharão que esta gaja nem sabe do que fala! Que esta riquinha só trabalha porque tem cunhas e que a dondoca podia até mandar o trabalho à fava e viver à custa do rico maridinho. Muitos acham que eu curto é estar aqui longe de tudo e sossegadinha no meu canto a olhar para o telefone. Muitos acham que sou antipática e não me ouviram sequer falar. Muitos acham que sou mandona e tenho mau feitio. Muitos acham muita coisa e nem sempre tenho o tempo a vontade de as discutir ou tão pouco de me defender. Muito menos num esquema de monólogo em que eu só iria parecer paranóide porque ninguém me disse nada e "lá estás tu com a mania" de que sei o que os outros acham.
Não sei, de facto. Mas sinto. Sinto quando não telefonam ou quando o fazem. Sinto quando mandam recados e sinto quando não sinto que faço parte de qualquer coisa. Não vale a pena especular sobre o timing do que digo ou do que terá acontecido para ela agora vir com esta conversa de coitadinha... Não vale porque não é de agora e há-de ser para sempre. E a culpa não é vossa, tua, minha ou nossa. Não há culpa, há circunstâncias e há a vida que temos ou escolhemos e que se desenrola cada dia de forma diferente. E hoje deu-lhe para isto.

Outro dia falava com colegas também emigrantes retornadas e desterradas da nostalgia de já não viver nos EUA. Uma delas acabou de chegar e eu não quis deprimi-la ainda mais, mas no meio do abraço que lhe dei podia ter dito:
vais-te sentir mais desterrada aqui do que do outro lado do atlântico...   vais ter dias de merda e vais ter dias excelentes. E o mais estranho em que entre o bom e o mau está quase sempre a solidão. O estar aqui e não onde estão outros. Seja porque razão for, a sensação de que estamos a ficar esquecidos vai surgir e vai-se instalar. Be ready, não melhora.
Cada círculo há-de mover-se de forma diferente e com sorte vai correr tudo bem, claro que vai!
Não te sei ensinar truques, ao fim destes anos todos ainda há dias que faço tudo mal, em que não lido bem com isto. Vais fugir da solidão com isolamento. Vais ser agressiva quando querias era só não saber mais de qualquer coisa em que não vais participar. Vais te armar em superior e que nem que pudesses tinhas ido àquele evento. Vais fazer tudo mal e vais fazer tudo bem. Vais ser besta e bestial. Vão achar que foste tu que te esqueceste e sumiste e estás como queres. Vão achar muita coisa. Mas enquanto os corações que carregas fora de ti estiverem felizes, acha tu que estás a fazer qualquer coisa de bem. Resta-te isso e isso, o sorriso que vires e o riso que ouvires, é por onde te deves medir.
Força.

05 June 2017

dos vicios [bons]

Eu viciada me confesso:
Eu tento não cair na tentação, eu tento esquecer o bom que é, eu finjo que não morro de saudades do tempo em que tinhamos tempo... E eu não disfarço bem. Eu sou viciada em romance. Em namoro e em contos de fadas. Em conquistas e fitas, no toque. Sou viciada em palavras bonitas e em poesias. Em recados em post-it, em trocas de olhares, em clichés. Em borboletas na barriga, em sorrisos cúmplices. Eu sou viciada nisso, nessa coisa. Num só olhar pode estar todo o romance de que precisamos. Olhem-se. Vejam-se.
Ou como diria o Lucão: ao menor sinal de amor, amoreçam. 

29 May 2017

d'isto

Eu não sei se em alguma altura me disseram: olha que vai ser assim! mas se disseram não me lembro... ou fiz por esquecer porque muitas vezes as coisas não são o que imaginávamos que iam ser.  Noto que recentemente falei disto: do que eu imaginei que ia ser, e se volto a ter o impulso de escrever sobre isso é porque me inquieta, somehow... Podia atribuir a repetição de temas à falta de inspiração ou de tempo, mas não. Se pensar sobre o assunto facilmente concluo que o futuro não vem aí. O futuro é agora e eu já sou aquilo (ou não) que imaginei - já estou nesse tempo. E aquilo que pensei ou idealizei ou temi, tudo isso sou já eu e é a minha vida. Não há mais especulações.

Salvo uma desgraça, acho que cheguei a estado plateau [a state of little or no change following a period of activity or progress.] Sou isto. A minha vida é isto. Acabaram os ses e os talvez um dia. Se podia ser diferente? Podia! Se podia ser melhor ou pior? outro tanto! Mas é isto. E sinto que estou em constante análise d'isto. É normal ou uma crise de meia idade? O medo da morte nos apanhar desprevenidos numa curva próxima? A tentação de abdicar de qualquer coisa para ir ser mais feliz? O comodismo de não me mexer? O cansaço e a inércia de tentar mais qualquer coisa? A falta de um desafio? Não sei, mas sei que a minha vida é isto, agora.

Acordamos cedo. 4 pequenos almoços, banhos, livros e boa escola para onde levar 3 filhos. Beijinho beijinho e chispem daqui. Café, banho, escolher roupa, carro e rímel nos olhos. Uns minutos de trânsito, música bem alto e trabalho. Café. Com ou sem sucesso, mais ou menos divertido, dias de merda e outros de i rock. Almoço a correr. Café. Telefone, email, mensagem papéis, contas e relatórios. Arrumar, pôr na carteira papéis, café e sair. Pega de motorista, apanha 2 no estádio, um na escola, ou 3 na natação ou tudo na escola. Mais trânsito, contra corrente e tempo contado. Música no carro, como foi o dia?, 1 que adormece e 2 que discutem. Carro na garagem. Ou manda subir e saio em compras ou trabalho, ou subo também. Trabalhos de casa e revista às mochilas, estuda com uns, sossega outros. Banhos, computador, só mais umas coisinhas enquanto veêm uns bonecos. Jantar que a N. preparou, com carinho, que esta é dessas e é para manter. Discussões sobre cartas ou spinners, canais de tv ou lutas de almofadas. Mães ao telefone, conversa de parvas ou palermas ou 3as famílias. Descer, lavar dentes, beijinho beijinho e agora durmam. 20.30 e já ressonam. Mais computador, um candycrush e um bocado de instagram, se houver vinho vai-se abrindo. Garfadas sem me sentar, ai que quando chegar o B. estou quase jantada. Hora da porcaria da dispensa arrasta tanto quanto a demora. Chega o B., jantamos ou nem por isso se a hora já passou. Computadores abertos, tv ao fundo, B. no chão e eu já morro num sofá à espera. Mais um bocado de Pinterest. Cama, beijo beijinho e amanhã cá estaremos de novo. É isto.

E d'isto, há dias em que quero fugir e outros em que é tudo o quero. Vá-se lá perceber ou não é suposto?
Percebermos, isto é...




Oh simple thing where have you gone?
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin

And if you have a minute why don't we go
Talk about it somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?

Keane

13 May 2017

das lyrics worth reading

Facilmente me deixo embalar em baladas comerciais, basta ouvir e gostar, não me armo em intelectualóide musical.
Vivo mergulhada em música e são raros os momentos da minha vida que não têm banda sonora. Tenho várias playlists e vou mudando conforme a hora, conforme o ambiente, conforme me sinta. Já tinha na minha EndoftheDay músicas do Salvador Sobral. E agora tenho também o hit nacional: Amar pelos Dois, que vai ganhar hoje o Eurovisão.

Mas como em tudo, nunca tudo está bem. E perdendo tempo a ler a música, coisa a que dou muita importância por que há #lyricsworthreading, não consigo deixar de ficar um bocadinho triste. Não consigo gostar tanto de uma melodia se a letra não tiver algum sentido, uma história, um desejo, um recado. E esta será seguramente uma das músicas mais tristes que tenho ouvido ultimamente. E fico a pensar que se todos derem a mesma importância que eu dou à letra, então andamos todos um bocado infelizes ou a fazer alguma coisa errada. A amar por dois... a amar alguém que já se teve e já não se tem? e a pedir que volte e a oferecer o amor em dobro a troco de nada? Ou é antes um desafio? alguém que chama outro e que lhe faz a promessa de que o vai querer fazer sentir paixão e que não o vai fazer sofrer? nah... a parte do "peço que regresses e que me voltes a querer"  lixa tudo. É uma história triste.

Já andamos todos em relações por vezes tão desequilibradas que me deixa inquieta gostarmos tanto desta música. Tantas vezes pensámos nisto, tantas vezes o quisemos dizer... e agora veio uma música, mais uma vez, pôr em palavras bonitas aquilo que nos pode deixar tão infelizes...  Não consigo deixar de ter um gosto agridoce por isso.


Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que vivi para te amar
Antes de ti, só existi
Cansado e sem nada para dar

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez devagarinho possas voltar a aprender

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que me voltes a querer
Eu sei que não se ama sozinho
Talvez devagarinho possas voltar a aprender

Se o teu coração não quiser ceder
Não sentir paixão, não quiser sofrer
Sem fazer planos do que virá depois
O meu coração pode amar pelos dois


Sal Sobral

05 May 2017

dos 38

Mais um.

Não costumo dar grande importância aos meus anos. não me fazem qualquer diferença e não lhes acho mais piada do que a uma passagem de ano. Vá, recebo presentes! Não me lembro sequer de ter feito 37 e já estou em modo 38.
Como tenho dito a idade abateu-se sobre mim com força aos 37. Fiz um balanço por alto, assim rápido e de cabeça e nos 37 perdi muito mais do que ganhei (se não contarmos brancas e peso e 3 dias de vida desde que deixei de fumar! Melhor não fazer balanços agora.
É dia de festa e de presentes! há-de ser, não é já já... o L. já me adiantou que me vai dar beijinhos. A X. já me deu um vaso mega sweet. O B. também já avisou que tem 'qualquer coisa' na mochila... Perks de fazer anos sempre perto do dia da Mãe! E sem saberem, em dia de anos, dia da Mãe, em qualquer dia, eles são o meu melhor presente. São o meu melhor. 

Mais um.

Venham daí as rugas e mais brancas. Venha daí o que tiver que vir. Muitas vezes na minha infância quis ser graúda, imaginei-me precisamente nesta fase da minha vida e estou tão perto do que imaginei! Imaginei-me loira e envolvida em política, menos gorda e com um guarda-roupa mais executivo,  mas poucas mais diferenças me ocorrem. Ah, sabia tocar qualquer coisa de jeito na viola!
Portanto... ou nós vamos empurrando a vida como queremos ou a vida molda-nos à imagem dos nossos sonhos.
Either way, i'm a luck girl.


17 April 2017

da minha Mãe

Aquilo que eu não sei ainda, vou sempre a tempo de aprender. Só preciso de estar perto dos mestres.

Alguns já terão percebido, a outros já o terei dito abertamente, outros não perceberão nunca, mas de há uns meses para cá, assim de cabeça, há uns 12, custa-me ir ao Porto, umas vezes mais que outras. Só recentemente comecei a controlar as lágrimas gordas que querem cair quando passo as portagens. Houve alturas em que entrei na A1 com todo o entusiasmo e depois de passar Aveiro começo a ter uns calafrios e ao passar a portagem já só me apetece voltar para trás... Arrebito as costas e penso que não há-de ser para sempre. Sacudo as lágrimas e lá vamos. Mas muitas vezes vou de cara feia.

Não consigo que seja de outra forma, e juro que tento, mas quando dou por mim já perdi a oportunidade de me corrigir e explicar que não é nada de pessoal, que são só saudades do meu Pai, da minha Familia, dos meus amigos e que os quero muito mas não ali. 

E depois em fins de semana como este ponho os olhos na minha Mãe e cai-me a ficha. Como é que ela consegue tanto e eu nem passar da portagem em condições? Ponho os olhos na minha Mãe e vejo-a a limpar as lágrimas entre coser credenciais do querubim na farda, ou assoar o nariz antes de virar os 5 kilos de fiambre que prepara há 2 dias. Quando fecha os olhos e suspira com os bebés que embala.

E depois, de sorriso posto, abre a casa a quem vem, de braços abertos e palavras queridas. E manda vir mais por que quer a casa cheia e as pessoas felizes. E eu ainda não aprendi a fazer aquilo que ela faz tão bem, que lhe vem de dentro e que não sabe sequer que o faz - o ser boa, o ser realmente santa.
Na amarga ironia do aniversário do meu Pai morrer calhar ser o dia de Páscoa eu só queria fechar-me. Não dormi, como não durmo nas vésperas, nada de jeito e às 8h20 acordei e contei os minutos para ver a minha Mãe entrar no quarto. Enchi o peito e galopou o coração enquanto esperava. Passei por tudo outra vez. Mas não entrou.

E eu ganhei a força de me levantar, ir à cozinha e ver a minha Mãe já a adiantar qualquer coisa para o almoço.
Agarro a chavena e atesto de café. São 8h30 da manhã e ambas sabemos que a esta hora o telefone tocou há 1 ano e tirou-nos o fôlego. E chorámos juntas, sem palavras, sem conversas. E percebi então que nunca aquela casa vai ser a mesma, mas que nós somos. As mesmas. E eu só almejo ser mais como ela, a minha Mãe.

01 April 2017

do medo

Já estava contente com ter, finalmente, a máquina da roupa montada, a funcionar, por mim. Mas à página 23 dou-me por vencida. Ando nisto há 3 dias, e não queria por nada desistir. Mas desisti. Resumi-me à minha condição de mulher, iletrada, pouco forte ou hábil, o que se quiser, mas o resultado final é o mesmo: a porta da máquina fica de fora. Sento-me e fico numa irritação crescente a olhar ora para a máquina, ora para a porta. E penso que eu até conseguia mesmo acabar esta merda, mas se corre mal lixo a porta de vez, e sai cara a brincadeira...

Numa qualquer outra altura teria ido para a varanda fumar a minha irratação ou teria ido correr 5km. Não indo acabo a comer um bocado de pão e a pensar naquele cliché que sempre me deixou desconfortável, mas que é famoso q.b., a saber: tudo o que tu queres está do outro lado do medo. Normamente em inglês soa potentissimo!
E muito embora eu seja mega fã, já se sabe, destes mottos este nunca foi uma escolha. E explico por quê: é uma grande treta!

É falso e incompleto. Hoje, por exemplo, o que eu realmente queria estava para lá da minha capacidade.
Ene vezes o que nós queremos está para lá da responsabilidade, da honestidade, da competência, do dever, da razoabilidade, da paciência, do esforço, da motivação.... raramente é do medo. Eu não tenho medo de uma porta nem de uma chave de parafusos. E ainda assim fiquei sem o que realmente queria.

Eu não tenho medo andar a grande velocidade, por exemplo, mas está para além do legal e do responsável. Eu não tenho medo de dançar, mas está para além da minha disponibilidade.... e poderia continuar por aqui fora.
Porque raramente é o medo que me imobiliza. Que raio de ideia...